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Paz na Estrada

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2004/08/06

Notícias 

Túnel do Marquês Serve Mais a Saída do Que a Entrada em Lisboa
Público, 31 de Julho de 2004
Problemas de trânsito, ironicamente, são um dos únicos efeitos negativos possíveis da exploração do túnel do Marquês, em Lisboa, segundo o estudo de impacte ambiental ontem entregue pela câmara municipal ao Instituto do Ambiente. O túnel, diz o estudo, irá trazer grandes melhorias tanto para quem sai da cidade como para a circulação local, sobretudo nas transversais à Avenida Joaquim António de Aguiar.
Mas na entrada de Lisboa, a actual configuração do projecto pode criar problemas de circulação na Rotunda, devido a estrangulamentos em direcção ao Saldanha e na saída do túnel para o Marquês de Pombal. Estes problemas, segundo o estudo, podem ser minimizados. (...)

Circular das Colinas É Fundamental para Tirar Trânsito da Baixa
Público, 31 de Julho de 2004A resolução dos problemas de trânsito na Baixa Pombalina exige a criação de uma nova via circular que ligará a Av. Infante Santo à Av. Mouzinho de Albuquerque e poderá incluir dois troços em túnel. Esta constatação resulta dos estudos de tráfego efectuados no ano passado pela equipa do professor José Manuel Viegas, no âmbito dos trabalhos ainda em curso da revisão do Plano Director Municipal (PDM) de Lisboa, e foi apresentada publicamente na reunião camarária de quarta-feira.
"A Baixa não pode continuar a ser uma via de distribuição de tráfego através do eixo radial constituído pela Rua do Ouro e pela Avenida da Liberdade", sublinhou o vereador do Trânsito, António Monteiro, na apresentação do "Estudo da Redução de Tráfego na Baixa Pombalina", desenvolvido a partir das propostas de José Manuel Viegas, cuja empresa está actualmente a trabalhar no plano global de mobilidade da cidade. (...)


POÇO DA MORTE (Cortesia Correio da Manhã)
(...) o querer individual é a pedra angular, a peça-chave de uma estratégia que, quer queiramos quer não, só dará frutos em gerações futuras. A consciência cívica não se impõe, adquire-se progressivamente.

as últimas duas décadas Portugal registou notável modernização, plena consequência da adesão aos critérios da União Europeia, do crescimento económico sustentado, bem como da capacidade negocial dos governos, dos partidos políticos, das entidades regionais e locais, das associações patronais e das estruturas sindicais. Todos, cada um à sua maneira, contribuíram para o que somos hoje, e somos muito. Existem no entanto aspectos, independentemente dos ?motores de busca? da Europa que continuam a ser assustadoramente preocupantes. De que falamos? Da tão conhecida sinistralidade rodoviária, demasiadas vezes a madrasta companheira de milhares de portugueses nas estradas, principalmente em períodos designados festivos, mas só para alguns.

Mas, afinal, porque se morre tanto nas estradas de Portugal?

Essa mortífera equação já inúmeras vezes avaliada, tem que ser reequacionada em diferentes perspectivas: a do cidadão condutor, com maior ou menor grau de responsabilidade em todas as latitudes da expressão, isto é, a maior ou menor taxa de alcoolemia, o pior ou melhor estado da viatura, o rigoroso ou displicente cumprimento do código da estrada.

A do Estado, com políticas de maior ou menor eficácia, ou seja, a ajustada ou descabida articulação dos poderes públicos e privados, a mais correcta ou deficiente construção e manutenção das estradas, o incentivo ou a penalização à renovação do parque automóvel.

É este, por simples que pareça, o binómio que aparentemente justifica tudo. Mas será justificação bastante? Talvez não.

Façamos alusão a outra realidade, por vezes não menos dramática: o consumo de tabaco. Sempre tão nocivo à saúde individual e pública, apesar das várias campanhas de forte e até violenta sensibilização dos perigos para quem fuma e mesmo para quem não fuma. No entanto, o fumador activo, mesmo conhecendo terapias convencionais e profilaxias alternativas, só deixa verdadeiramente de fumar com o verdadeiro e sério querer individual.

Também nas estradas, com radares domésticos e matreiros sinais de luzes, se tentam enganar as autoridades e a tão autoritária ?Tolerância Zero?, não percebendo que esta não é mais do que cumprir o que está escrito na lei!

O número anual de mortes (1356 em 2003), acrescido do número de feridos graves (4659 em 2003), cujas mortes posteriores quase nunca são contabilizadas pela opinião pública, resultam numa repugnante realidade, muito superior ao número de baixas anuais registadas em combate na guerra colonial africana, para além do elevado custo económico, quer para o Estado quer para os particulares, por mais cruel que seja esta perspectiva de abordagem.

Também aqui o querer individual é a pedra angular, a peça-chave de uma estratégia que, quer queiramos quer não, só dará frutos em gerações futuras. A consciência cívica não se impõe, adquire-se progressivamente.

Reginaldo de Almeida, Professor da Universidade Autónoma de Lisboa



Colocado por MI  às 22:12h
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